As 3 principais doenças da infância e seus tratamentos

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Existem diversos tipos de doenças que acometem as crianças, principalmente na sua fase pré-escolar. Nessa faixa etária a criança está susceptível a desenvolver diversas doenças. As crianças estão mais expostas a apresentarem doenças, pois seu sistema imune ainda não foi exposto a muitos agentes etiológicos (vírus, bactérias e fungos) o que a torna mais susceptível a doenças do que adolescentes ou adultos.

Outro fator que aumenta a incidência das doenças é o fator de descoberta do mundo, característico da infância, em especial na fase pré-escolar. As crianças tendem a tocar em tudo, colocar a mão na boca, brincarem perto um do outro. Mas calma! Descobrir o mundo é essencial para o desenvolvimento da criança, além de desenvolvê-la cognitiva, motora e socialmente, a descoberta, favorece o fortalecimento do sistema imune da criança por meio da Imunidade Adquirida. Resumindo, criar uma criança na bolha é mais prejudicial do que incentivar seu senso desbravador!

O profissional de saúde, e mãe da criança, quanto mais informado estiver, melhor preparado estará para identificar o que está afetando a criança e poderá prestar a conduta adequada para o cuidado da criança. Confira abaixo algumas das doenças mais prevalentes entre crianças e como intervir nelas.

TRÊS DAS DOENÇAS MAIS COMUNS NA FASE PRÉ-ESCOLAR DA INFÂNCIA

Essa tríade pode ser evitada pelo acompanhamento constante e adequado da criança pela Unidade Básica de Saúde (Posto de Saúde), por meio da Política Nacional de Atenção à Saúde da Criança, ou pelo pediatra da família. Optamos por abordas as infecções das vias áreas em uma próxima postagem. Abaixo discorremos sobre anemia, desnutrição e diarreia.

1. ANEMIAS NUTRICIONAIS

As anemias nutricionais, também chamadas de anemias carenciais, ocorrem pela deficiência simples ou combinada de nutrientes importantes para o organismo que incluem ferro, ácido fólico e vitamina B12. Também podemos incluir nesse grupo a piridoxina (vitamina B6), riboflavina (B2) e proteína.
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Como pode ser observado, apesar de apresentar a maior prevalência na população, há uma infinidade para além da anemia ferropriva que se caracteriza pela redução das reservas no sangue ferro. Deve-se observar também a causa da anemia que pode ser por baixa oferta de determinado nutriente, aumento da demanda, perda por sangramento interno ou má absorção pelo organismo. No último caso, o simples aumento da oferta nutricional não reverterá a anemia.
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A anemia nutricional está associada à dificuldade de aprendizado. Representa o estágio mais avançado caracterizando-se pela diminuição da hemoglobina e do hematócrito (por isso a importância de avaliar o hemograma), que se reflete em mudanças na citomorfologia eritrocitária, apresentando microcitose e hipocromia e causando distúrbio no mecanismo de transporte de oxigênio.
SINTOMAS
  • Palidez de pele e das mucosas;
  • Alterações gastrintestinais (estomatite, disfagia);
  • Fadiga, astenia, taquicardia;
  • Redução da função cognitiva;
  • Crescimento e do desenvolvimento psicomotor prejudicados;
  • Baixa imunidade.
Modelo hierárquico dos fatores determinantes da anemia (OSÓRIO, MA, 2002)

Apesar da redução na prevalência da desnutrição no Brasil, a anemia, em especial a ferropriva, parece não acompanhar a melhora no estado nutricional. Um estudo realizado em 2008 com 487 crianças de uma creche em Porto Alegre demonstrou que 47,4% das crianças apresentavam anemia.

Isso demonstra que o profissional de Saúde, em especial o Enfermeiro, responsável pelo Programa de Atenção à Saúde da Criança, deve estar atento nas Consulta de Enfermagem aos sinais e sintomas, além de desenvolver atividades educativas para as mães da criança com a inclusão de alimentos folhosos (em especial os verdes escuros) e frutas (em especial as ricas em vitamina C) na alimentação dos seus filhos. Além do consumo frequente de fontes proteicas provenientes de carnes e dos popularmente chamados de “miúdos ou vísceras” como fígado de boi e fígado de frango.

O ferro apresenta-se nos alimentos sob duas formas: heme e não heme. O ferro heme, presente nas carnes e vísceras, tem uma biodisponibilidade bastante elevada, não estando exposto aos fatores inibidores. As carnes apresentam cerca de 4mg de ferro por 100g do alimento, sendo absorvidos em torno de 40% deste nutriente. Enquanto o ferro não heme, contido nos cereais e nas hortaliças, é absorvido em apenas 10% pelo organismo. Nessa disparidade que surge a importância de consumo de frutas ricas em vitamina C para aumentar a porcentagem de absorção.
Alimentos indicados para anemia: Carnes (fígado, frango, carne de porco, ovos, camarão). Vegetais (brócolis, feijão, espinafre, melancia e frutas ácidas).
Lembramos que, não é para desincentivar o consumo de hortaliças, pois, apesar da sua menor absorção, elas são riquíssimas em outros nutrientes como as vitaminas do complexo B, além de serem uma fonte de ferro mais acessível de nutriente nas famílias e de baixa renda, assim como o consumo de vísceras.
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Termo que designa o déficit de proteínas e calorias na dieta, podendo ser originado por vários fatores como absorção inadequada (exemplo a diarreia pelo fluxo rápido do alimento) ou ingestão insatisfatória (no sentido de qualidade e não quantidade). Os fatores que influenciam uma boa dieta são:

  • Nível socioeconômico;
  • Condições ambientais;
  • Baixo nível mental da mãe;
  • Privação afetiva;

Os três principais tipos de desnutrição são: Marasmo, Kwashiorkor e Marasmo-Kwashiorkor. Sua classificação depende da origem do déficit.

  • Marasmo: Baixa quantidades de calorias ingeridas no dia (vária de acordo a faixa etária) e baixa ingesta de proteína devido a baixa qualidade e quantidade dos alimentos. O marasmo acomete normalmente as criança maiores de 1 ano e essas apresentam grande emagrecimento.

  • Kwashiorkor: Baixa ingestão de proteínas. Acomete principalmente crianças de 1-4 anos e essas apresentam edema de face e cabelos quebradiços.

  • Marasmo-Kwashiorkor: As crianças com esse tipo de desnutrição sofrem deficiências importantes de proteína e calorias. Nessa categorias vários sistemas são afetados e há o aparecimento de lesões cerebrais levando ao déficit cognitivo.

Diferença entre marasmo e Kwashiorkor.

3. DIARREIA AGUDA

A diarreia aguda na infância tem grande magnitude no Brasil devido a parte da população viver em condições precárias sem esgotamento sanitário e instrução.

Caracteriza-se pela perda de água e eletrólitos, aumento do volume e frequência das evacuações, além das fezes apresentarem uma menor consistência do que o habitual. A diarréia é causada por um agente infeccioso, com duração menor que 2 semanas. As complicações que causam a morte são a desnutrição e desidratação devido ao grande fluxo intestinal do quadro de diarréia aguda que reduz a absorção de nutrientes e líquidos advindos dos alimentos ingeridos.

Causadores comuns: Vírus (Rotavírus, Adenovírus); Bactérias (Salmonella, Staphylococcus); Parasitas (Ascaris, Giardia lambia).

Desidratação

Acomete em maior proporção as crianças menores de 1 ano devido a maior proporção de água em seu corpo. Pode ser causada por diarreia, vômitos, infecções ou desnutrição (fator predisponente). Com base nos sinais e sintomas a criança, na unidade de saúde, é classificada e tratada com Soro de Reidratação Oral (SRO) segundo os seguintes planos:

Plano A – Diarreia sem desidratação;
Plano B – Diarreia e alguns sinais de desidratação;
Plano C – Diarreia com desidratação grave.

Baixe o Manejo ao paciente com diarreia aguda do Ministério da Saúde AQUI.

 


Referências:
OSORIO, Mônica M.. Fatores determinantes da anemia em crianças. J. Pediatr. (Rio J.),  Porto Alegre ,  v. 78, n. 4, p. 269-278,    2002 .   Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/jped/v78n4/v78n4a05.pdf
FURLAN et al. Prevalência de anemias carenciais em criança frequentadores de creches da região leste da cidade de Porto Alegre. Revista HCPA. Porto Alegre. 2008. Disponível em: http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/15053.

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Lucas Queiroz

Lucas Queiroz é o proprietário da Central da Enfermagem. Mestre em Ciências da Saúde, realiza pesquisas no campo do cuidado aos consumidores de drogas e atua como Enfermeiro em instituição federal.

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