Carbamazepina: Bula e Cuidados de Enfermagem

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O profissional de Enfermagem é essencial no tratamento medicamentoso do paciente. A categoria profissional é responsável pela administração, controle e avaliação dos efeitos medicamentosos durante o tratamento, especialmente nos ambientes hospitalares. Faz-se necessário também a tomada de diversos cuidados de enfermagem para garantir o bem-estar do paciente e evitar reações indesejadas.

Hoje, iremos abordar a Carbamazepina com suas indicações, apresentação, mecanismo de ação, reações adversas e interações medicamentosas. Além de apresentar os Cuidados de Enfermagem que devem ser desenvolvidos ao paciente. Primeiramente traremos a bula e após os cuidados de enfermagem. Confira a seguir!

RESUMO: Carbamazepina é um antiepiléptico, possuindo nomes comerciais mais comuns de: Tegretol, Tegretard e Convulsan.  Sua administração é restrita por VO, seja suspensão oral ou comprimidos. Podendo ainda ser de Liberação normal ou Controlada (CR). Também pode ser utilizado para psicose e nevralgia do trigêmeo. Como cuidados de enfermagem devemos orientar sobre a interação medicamentosa, evitar uso com outras drogas, em especial o álcool, a importância de realizar acompanhamento da pressão arterial, função hepática e doenças oftalmológicas, caso já pré-existam. Além do uso, preferencial, nas refeições.

BULA

APRESENTAÇÕES

Comprimidos de 200mg ou 400mg. Frascos com 100m de suspensão oral a 2% + seringa dosadora. Comprimidos divisíveis de liberação controlada de 200mg ou 400mg.

PROPRIEDADES

O seu mecanismo de ação ainda não é totalmente conhecido. Estabiliza a membrana neuronal e limita a atividade epiléptica.

FARMACOCINÉTICA

Uso VO. Nível sanguíneo: 4-12h; eliminação: 12-17h (uso crônico).

INDICAÇÕES E POSOLOGIA

Epilepsia: VO (adultos e crianças > 12 anos) com dose inicial em 200mg/dia (a dose pode ser aumentada gradualmente além de 200mg/dia, 6/6h ou 8/8h). VO (crianças <12 anos) com dose inicial 100mg, 2 vezes por dia (a dose pode ser aumentada gradualmente além de 100mg/dia). Nevralgia do trigêmeo: VO (adultos) com dose inicial 100mg 2 vezes por dia; dose de manutenção 200-400mg/dia 2 vezes por dia. Psicose: VO (adultos) com dose inicial de 100mg, 2 vezes por dia, durante as refeições (conforme necessário, a dose poderá ser aumentada).

CONTRAINDICAÇÕES E PRECAUÇÕES

Hipersensibilidade, Supressão da medula óssea. Use cuidadosamente nos casos de disfunção hepática, renal ou cardíaca, aumento da Pressão Intra-Ocular ou do glaucoma.

REAÇÕES ADVERSAS

Cardiovascular: ICC, hipotensão, hipertensão, agravamento de insuficiência coronariana, síncope, tromboflebite, arritmias, bloqueio AV.

Dermatológicas: rash cutâneo, urticária, eritema multiforme, sindrome de Stevens-Johnson, fotossensibilidade, alteração na pigmentação, alopecia, púrpura, agravamento do lúpus eritematoso, sudorese.

Endócrina: impotência.

Gastro Intestinais: náusea, vômito, dor abdominal, constipação, boca e faringe secas, estomatite, glossite. GU: retenção urinária, oligúria com hipertensão, insunciência renal, azotemia, proteinúria, glicosúria, depósitos microscópicos na urina. Hematológicas: anemia aplástica, agranulocitose, trombocitopenia, eosinomia, leucocitose.

Hepáticas: hepatite fulminante, necrose hepática.

Oftalmológicas: visão turva, diplopia transitória, nistagmo, conjuntivite.

Respiratórias: hipersensibilidade pulmonar caracterizada por febre, dispnéia, pneumonite, pneumonia.

Sistema Nervoso Central: anorexia, tontura, sonolência, fadiga, ataxia, descoordenação, confusão, cefaléia, alucinação, depressão com agitação, mudança de comportamento (crianças), distúrbios da fala, movimentos involuntários, parestesia.

INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS

Ácido niootínico, fenitoína, fenobarbital e primidona: possível diminuição do nível sanguíneo da carbamazepina.

Acido valpróico, cimetidina, diltiazem, eritromicina, isoniazida e verapamil: possível aumento do nível sanguíneo da carbamazepina (recomenda-se usar com cautela).

Aloperidol, doxiciclina, fenitoina, teofilina e varfarina: possivel diminuição dos níveis sanguíneos dessas drogas.

CUIDADOS DE ENFERMAGEM

1 – Instruir o paciente a tomar a medicação conforme recomendação médica e não interromper o tratamento, sem o conhecimento do médico, ainda que apresente melhora nas queixas;

2 – Informar ao paciente os sintomas relacionados à suspensão súbita do seu uso.

3 – Orientar que após longos períodos de tratamento as doses devem ser reduzidas lenta e gradualmente;

4 – Orientar a informar ao médico ou profissional de saúde imediatamente no casos de gravidez (confirmada ou suspeita) ou, ainda, se a paciente estiver amamentando;

5 – Informar sobre a correlação entre disfunção hepática, renal ou cardiaca, aumento da PIO ou glaucoma com o uso da carbamazepina.

6 – Reforçar, caso haja comorbidades, a importância de acompanhamento da Pressão Arterial, evitar consumo de bebidas alcoólicas e consultas periódicas com oftalmologista;

7 – Educar sobre as reações adversas mais frequentes relacionadas ao uso da carbamazepina e que, diante a ocorrência de qualquer uma de as, principalmente febre, dor de garganta, estomatite, hematoma ou sangramento, como também aquelas incomuns ou intoleráveis, o médico deverá ser comunicado imediatamente.

8 –  Informar que, nas primeiras doses, a medicação pode causar tontura e sonolência (em geral, desaparecem em 3-4 dias);

9 – Orientar o paciente a evitar o manuseio de máquinas pesadas ou dirigir automóvel nos primeiros 4 dias;

10 – Recomendar uso de enxaguantes bucais sem álcool, balas ou gomas de mascar sem açúcar em caso de xerostomia (boca seca) para minimizar o efeito;

11 – Recomendar que o paciente que evite o consumo de que qualquer outra droga ou medicação, sem o conhecimento do médico, durante a terapia.

12 – Em caso de pacientes internados, durante a terapia, monitorar: as funções hepática renal e as plaquetas; e avaliar: sinais de anorexia que pode indicar aumento súbito da carbamazepina no organismo.

13 – Orientar o uso da medicação durante refeições para evitar transtornos gastro intestinais;

14 – Aconselhar manter a medicação em embalagem original e ao abrigo da luz;

15 – Alertar que, em caso de esquecimento da dose do dia, não realizar dose dobrada no dia seguinte;


Referências

  1. AME. Dicionário de Administração de Medicamentos na Enfermagem. São Paulo-SP, Ed. Epub, ed. 10, 2009–2010.
  2. NOVARTIS. Bula de Tegretol e Tegretol CR. Disponível em: http://www.bulas.med.br/p/bulas-de-medicamentos/bula/3895/tegretol+e+tegretol+cr.htm

Esperamos que tenha gostado da postagem sobre os cuidados de enfermagem com a Carbamazepina. Gostou da maneira que o conteúdo foi apresentado? Tem alguma sugestão para as postagens futuras de artigos similares? Deixei o comentário abaixo! Confira mais cuidados de enfermagem em medicações AQUI.

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Lucas Queiroz

Lucas Queiroz é o proprietário da Central da Enfermagem. Mestre em Ciências da Saúde, realiza pesquisas no campo do cuidado aos consumidores de drogas e atua como Enfermeiro em instituição federal.

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