Exame físico: Inspeção, palpação, percussão e ausculta

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O profissional de Enfermagem, após realizar a anamnese, necessita dispor de habilidades técnicas para a realização do exame físico. Etapa que irá confirmar, descartar ou acrescentar suspeitas diagnósticas de Enfermagem obtidas pela anamnese.

As habilidades técnicas são classificadas em quatro: inspeção, palpação, percussão e ausculta. Cada uma com sua importância devem ser realizadas na maioria dos casos na ordem em que foram citadas anteriormente. Ou seja:

  1. Inspeção

  2. Palpação

  3. Percussão

  4. Ausculta

Há exceções, como na avaliação abdominal, em que a ausculta e a percussão são antecipadas, seguindo a disposição a seguir: Inspeção, Ausculta, Percussão e Palpação. Evitando que os achados da ausculta sejam equivocados pela mobilização da palpação prévia.

Mais detalhes abordaremos na postagem sobre exame físico abdominal. Vamos aos detalhes e definição de cada habilidade técnica para que você, profissional ou estudante, execute de maneira exemplar o exame físico.

Inspeção

A inspeção é um exame minucioso e criterioso. Não é apenas olhar para o paciente, mas observá-lo com olhar clínico e científico. A ordem da inspeção deve-se ater a pessoa como um todo e após ir se especificando em cada região corporal (rosto, tórax, Membros Inferiores, Mucosas, etc). A segunda parte da inspeção poder ser realizada em conjunto com as outras técnicas.

Lembre-se, a inspeção começa desde que o paciente adentra o consultório de enfermagem ou quando o profissional está presente na enfermaria. Pode tornar-se fonte para questionamentos, como uma face tristonha ou um deambular com dificuldade ou compensado.

Uma dica importante é comparar o lado direito com o lado esquerdo do paciente, assim você poderá checar se uma característica é anormal. Tais como um braço mais comprido que o outro ou com edema, dessa comparação vem a anotação “membros superiores simétricos e sem edema”, quando relevante.

Lembre-se de garantir um ambiente bem iluminado e com espaço para utilização de instrumentos como otoscópio, oftalmoscópio ou lanterna clínica.

Palpação

A próxima etapa, lembre-se há exceções na ordem de execução, é a palpação. Nessa técnica o profissional deve utilizar o tato para avaliar diversos fatores como: temperatura, textura, turgor, elasticidade, localização e tamanho de órgãos como o fígado; presença de edema (teste de cacifo), além de nódulos e avaliação de dor. No último caso, é importantíssimo associar à queixa do paciente e sua expressão facial na palpação mediante inspeção.

Para palpar diversas regiões corporais com tantos objetivos a serem encontrados ou refutados, o profissional de enfermagem deve utilizar diferentes seguimentos das mãos.

  1. Ponta dos dedos: Avaliar a textura da pele, realizar palpação profunda e teste como o cacifo ou sinal de blumberg (avaliar suspeita de apendicite);
  2. Pressão dos dedos contra o primeiro quirodáctilo (polegar): Com movimento de pinça, para avaliar forma, consistência e mobilidade de massa ou órgão;
  3. Dorso da mão: Parte posterior da mão, para avaliar a temperatura, pois além da pele ser mais final possui maior quantidade de terminação nervosas sensíveis a temperatura. Então lembre-se, verificar temperatura sempre com o dorso da mão e com auxílio de termômetro.

Lembre-se de aquecer as mãos ao esfregar uma na outra, caso necessário. As áreas de sensibilidade relatadas pelo paciente devem ser palpadas por último e de maneira progressiva, a superficial e a profunda.

Percussão

Consiste em dar pequenas batidas na pele do paciente, de forma que elas se tornem breves e penetrantes. O objetivo é avaliar as estruturas internas, tais como: tamanho de órgão não palpáveis, presença de líquido, gazes ou inflamação.

Para executar a técnica o profissional estende um dos dedos sobre a pele do paciente, firmando-o bem, e, em seguida, realize com a mão dominante a percussão no dedo apoiado na pele do paciente. Atente-se a manter apenas o dedo em contato com a pele e evite regiões ósseas como: costelas e escápulas. Essas duas precauções irá evitar que o profissional produza sons que não são clinicamente úteis: abafado ou curtos.

Como realizar a percussão

Execute ao menos duas vezes o movimento na mesma região e após vá movendo os dedos para percussionar as demais áreas. As características a serem observadas em cada região será abordada em postagem específica de cada localização, tais como: timpânico, maciço e claro pulmonar.

Ausculta

Consiste em ouvir os sons do corpo (coração, pulmão, abdome) mediante o estetoscópio. Recomenda-se estetoscópios com duas faces: diafragma e campânula.

Partes do estetoscópio

O diafragma é indicado para sons altos e agudos (respiração, sons cardíacos e abdominais), enquanto a campânula é indicada para sons graves e baixos (sopros cardíacos). Enquanto o diafragma deve ser pressionado firmemente na pele do paciente formando um círculo ao retirá-lo, a campânula deve ser pressionada apenas até que todos os lados estejam em contato com a pele.

Motivo para a diferenciação é que, se a campânula for pressionada como um diafragma a pele anulará os sons graves, perdendo assim a utilidade.

Lembre-se, a execução com primazia das técnicas descritas irá refletir diretamente na qualidade e assertividade dos diagnósticos elencados e consequentemente no cuidado ao paciente. Por isso, busque sempre aperfeiçoar as técnicas.

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Referências

JARVYS, Carolyn. Guia de Exame Físico para Enfermagem. 7ª ed. Ed. Elsevier. 2016.


 

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Lucas Queiroz

Lucas Queiroz é o proprietário da Central da Enfermagem. Mestre em Ciências da Saúde, realiza pesquisas no campo do cuidado aos consumidores de drogas e atua como Enfermeiro em instituição federal.

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