Histórico de Enfermagem: A Entrevista

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A anamnese, também conhecida como entrevista de enfermagem, é uma importante etapa do Processo de Enfermagem, sendo essencial para o levantamento do Histórico de Enfermagem. Nela o profissional de enfermagem irá identificar os potenciais de saúde e os problemas de saúde do paciente, sendo essencial para guiar a próxima etapa: exame físico. Uma entrevista de enfermagem mal conduzida ou interpretada de maneira equivocada poderá prejudicar todo o cuidado desenvolvido pelo profissional.

A anamnese e o exame físico, etapas do histórico de enfermagem, representam um instrumento de grande valia para a assistência, uma vez que permite ao enfermeiro realizar o diagnóstico e planejar as ações de enfermagem, acompanhar e avaliar a evolução do paciente. Hoje, veremos no Central da Enfermagem veremos um pouco mais sobre a anamnese e como transformá-la em uma potente ferramenta para o cuidado individualizado, holístico, humanizado e com embasamento científico.

LEMBRE-SE

HISTÓRICO DE ENFERMAGEM = ANAMNESE + EXAME FÍSICO

Anamnese significa Ana=trazer de volta, recordar mnese= memória, e é realizada mediante a técnica da entrevista. Definida como a primeira fase de um processo, a anamnese é uma coleta de dados subjetivos e objetivos contendo informações que a pessoa diz sobre ela mesma. Alguns autores apresentam quatro tipos de dados coletados nessa primeira fase do Processo de Enfermagem que são: dados subjetivos, objetivos, históricos e atuais. Estes podem ser obtidos, utilizando-se: a entrevista, a observação, o exame físico, os resultados de provas diagnósticas, a revisão de prontuário e a colaboração de outros profissionais.

Na anamnese correspondente a entrevista o paciente deve ter voz para expressar aquilo que lhe assola. O profissional deve evitar ao máximo interromper o discurso do paciente ou tentar fazer pré-julgamentos, pois tal atitude poderá desmotivar a pessoa em expor todas as informações pertinentes. Lembramos que a construção do Histórico de Enfermagem não é uma atividade restrita ao Enfermeiro. Exceto nas consultas de enfermagem, pode ser contruído com a contribuição de toda equipe de enfermagem que abrage técnicos e auxiliares de enfermagem.

PREPARANDO UM AMBIENTE ADEQUADO PARA A ENTREVISTA

A privacidade é um dos fatores primordiais a serem garantidos para que o profissional consiga extrair uma anamnese palpável para basear o cuidado. O profissional de enfermagem deve buscar a privacidade no ambiente físico – uma sala reservada, caso seja um consultório de enfermagem, ou até menos uma simples cortina, biombo ou qualquer outra divisória poderá ser suficiente para garantir um nível de privacidade, especialmente quando falamos sobre enfermarias. Lembre-se de garantir que ninguém poderá ouvir a conversa ou que a consulta seja interrompida, salvo casos exepcionais.

AMBIENTE FÍSICO

  1. Manter a temperatura ambiente em um nível confortável (atentar a idade do paciente, idosos e crianças costumam ser menos toleráveis ao frio do ar condicicionado por exemplo);
  2. Garantir boa iluminação ambiente;
  3. Reduzir ruídos indesejáveis (conversas paralelas, sons de corredor, janelas abertas);
  4. Remover objetos que possam provocar distrações (seringas, medicamento, impressos em demasia, mantenha o essencial sobre a mesa);
  5. Manter uma distância de 1 a 1,5m entre você e o paciente (caso o paciente se aproxime, evite afastar-se);
  6. Realizar a entrevista de enfermagem
  7. em um nível de igualdade física (nada ficar em pé entrevistando o paciente sentado. Pacientes acamados não seguem essa recomendação);

FASES DA ENTREVISTA

A entrevista pode ser dividida em três fases: Apresentação, fase de trabalho e encerramento. Vejamos a seguir:

1. APRESENTAÇÃO DA ENTREVISTA

Sempre dirija-se ao paciente pelo nome procedido pelo tratamento de Sr. ou Sra. Caso o paciente expresse o desejo de não ser chamado com pronome de tratamento, acolha o pedido. Apresente-se indicando sua função na instituição e informe o motivo da entrevista de enfermagem. Caso seja estudante, identifique-se, foque na informação que você está em supervisão por um profissional formado, para que o paciente tenha maior segurança em sua abordagem.

2. FASE DE TRABALHO

Nessa fase encontramos as perguntas que serão feitas ao paciente, em conjunto com as respostas irá compor os dados coletados. As perguntas podem ser de dois tipos: abertas e fechadas. Diferente do que alguns profissionais sugerem, nós da Central da Enfermagem, baseados em experiências práticas e em artigos científicos, sugerimos que ambas sejam utilizadas, contudo em momento oportuno para tal.

Perguntas Abertas

Uma pergunta aberta pede informações narrativas e apresenta o tema a ser discutido. Devem ser utilizadas para iniciar uma entrevista e introduzir novos tópicos. Como exemplo temos: “Como você está se sentido hoje sr. João?” ou “O que aconteceu com a sra. Josefa para ter vindo ao hospital?” ou “Há quanto tempo o sr Emanuel vem tendo essas dores de cabeça?”.

Perguntas Fechadas

As perguntas fechadas pedem informações específicas que se resumem em uma resposta de uma ou duas palavras, sendo o “sim” ou “não” as respostas esperadas. O profissional poderá utilizar de perguntas fechadas após a narrativa da pessoa para complementar detalhes ou esclarecer alguma dúvida ou discurso confuso. Exemplo: “Então quer dizer que o senhor começou a apresentar dores de cabeça após para de usar os medicamentos para a pressão?”

Respostas

A medida que o paciente for sendo entrevistado, o profissional deve incentivar a livre expressão, buscando deixá-lo no foco. Algumas ações simples podem ser tomadas pelo profissional para incentivar a resposta do paciente, sem, entretanto, interrompê-lo.

  1. Facilitação: para incentivar o paciente a continuar o relato, simples palavras como “prossiga” ou o aceno positivo com a cabeça;
  2. Reflexão: Busca ecoar as próprias palavras do paciente para que ele continue o relatado em determinada parte que chamou atenção do profissional de enfermagem. Exemplo: repetir, “dor de cabeça quando parou de usar a medicação…”;
  3. Empatia: Empatia é solidarizar-se com o outro. Uma resposta empátia na entrevista faz o paciente se sentir aceito e capaz de abrir-se mais com o profissional.Exemplo: “Isso deve ser muito dificil para o senhor”;
  4. Confronto: busca contratar relatos ambuíguos com achados. Exemplo: “você diz que não sente dor, mais quando aperto aqui você faz cara feia, o que sente?”
  5. Resumo: condesa todas as informações que você entende que o paciente tem a dizer. Essa também é uma oportunidade de o paciente corrigir alguma percepção errônea.

3. ENCERRAMENTO DA ENTREVISTA

Opte terminar a entrevista questionado ao paciente se há mais alguma informação que ele queira relatar. Em seguida, faça uma recapitulação final, algo como uma leitura de ata em que ambas as partes envolvidas concordam com as informações registradas.

Com essas dicas certamente você fará uma excelente entrevista para basear seu Histórico de Enfermagem e auxiliar na tomada de decisões e avaliar diagnósticos de enfermagem, prevenindo complicações e facilitando o cuidado. Para mais postagens como essa, continue ligado o Central da Enfermagem e acompanhe nossa página no facebook!


Referências

SANTOS, Neuma; VEIGA, Patrícia; ANDRADE, Renata. Importância da anamnese e do exame físico para o cuidado do enfermeiro. Rev. bras. enferm.,  Brasília ,  v. 64, n. 2, p. 355-358,  abr.  2011.

JARVYS, Carolyn. Guia de Exame Físico para Enfermagem. 7ª ed. Ed. Elsevier. 2016.

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Lucas Queiroz

Lucas Queiroz é o proprietário da Central da Enfermagem. Mestre em Ciências da Saúde, realiza pesquisas no campo do cuidado aos consumidores de drogas e atua como Enfermeiro em instituição federal.

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