Morfina: Bula e Cuidados de Enfermagem

  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Abordaremos nessa postagem uma dos principais analgésicos utilizados no mundo, o sulfato de morfina. A postagem atem-se ao medicamento e seus cuidados de enfermagem, demais aplicações, como a bomba de morfina,  deixaremos link nas referências. Lembramos que primeiramente traremos a bula e após os cuidados de enfermagem.

RESUMO: Sulfato de morfina é um analgésico narcótico potente que atua primariamente sobre o Sistema Nervoso Central (SNC) e órgãos com musculatura lisa. Possui nomes comerciais mais comuns de: Dimorf e Dolo Moff. Sua administração pode ser VO por comprimidos (10 e 30mg) ou Cápsulas (30, 60 ou 100mg) de microgrânulos de liberação cronogramada, além de Frascos com 60ml de solução oral + conta-gotas (10mg/ml) . A via EV também é utilizada com as apresentações de ampolas de 1ml (0,2 ou 10mg/ml) ou 2ml (1mg/ml) de solução injetável. Início da ação: variável (VO); rápido (IM); imediato (IV); nível sanguíneo: 60min (VO); 30-60min (IM) e 20min (IV); eliminação: 5-7h. Como cuidados de enfermagem devemos orientar sobre a interação medicamentosa; instruir sobre as contraindicações (gravidez, lactação); instruir sobre os riscos em uso concomitante com álcool. Além cuidados referente à diluição e velocidade de administração em via EV.

BULA

APRESENTAÇÃO

Comprimidos  de 10 e 30mg ou Cápsulas (30, 60 ou 100mg) de microgrânulos de liberação cronogramada. Frascos com 60ml de solução oral + conta-gotas (10mg/ml) . Ampolas de 1ml (0,2 ou 10mg/ml) ou 2ml (1mg/ml) de solução injetável.

PROPRIEDADES

Efeito primário no SNC e na musculatura lisa. Da mesma forma que os outros opióides, atua como um antagonista que se liga aos sítios receptores estereoespecíficos e saturáveis no cérebro, na medula espinhal e em outros tecidos.

A morfina exerce sua atividade agonista primariamente no receptor mu. Os receptores mu são amplamente distribuídos através do SNC, especialmente de sistema límbico (córtex frontal, córtex temporal, amígdala e hipocampo), tálamo, striatum, hipotálamo e mesencéfalo e assim como as lâminas I, II, IV e V do corno dorsal e na coluna vertebral. Os receptores Kappa estão localizados primariamente na coluna vertebral e no córtex cerebral.

FARMACOCINÉTICA

Uso VO: variável, nível sanguíneo em 60min. IM: rápido, nível sanguíneo em 30-60min. EV: imediato, nível sanguíneo em 20min. Eliminação: entre 5 e 7h.

A eliminação primária é essencialmente renal (85%), sendo que de 9 a 12 % são excretados sem modificação. A eliminação secundária é de 7 a 10 % por via biliar.

INDICAÇÕES E POSOLOGIA

Para alívio da dor intensa aguda e crônica. Edema pulmonar. Dor associada com infarto do miocárdio.

Dor: VO (adultos acima de 50kg): dose inicial usual para dor moderada a grave em pacientes que não foram tratados anteriormente com opióides de até 30mg a cada 3-4 horas. Caso o paciente já tenha sido tratado com opióide anteriormente, é sugerido seguir a proporção de 0,3mg/kg.

IM ou EV indicada para pacientes adultos (acima de 50kg) com dor moderada. Àqueles que n ão foram tratados anteriormente com opióides de até 10mg a cada 3-4 horas. Caso o paciente já tenha sido tratado com opióide anteriormente, é sugerido seguir a proporção de 0,1mg/kg.

Lembre-se: Consulte com seu médico e siga a prescrição. Não faça uso medicação por conta própria.

CONTRAINDICAÇÃO E PRECAUÇÕES

Hipersensibilidade. ICC. Gestação ou lactação. Use cuidadosamente nos casos de lúpus eritematoso e em pacientes imunodeprimidos.

Hipersensibilidade. Diarreia causada por envenenamento. Cirurgias do trato biliar ou anastomose. Gestação. Durante o trabalho de parto. Deve ser usado com cautela nos casos de disfunção hepática ou renal, TCE, hipertensão intracraniana, asma, DPOC, hipoxia, doença cardíaca, abdome agudo, mixedema, convulsão, alcoolismo, delírio, arteriosclerose cerebral, colite ulcerativa, febre, cirurgias GI ou GU e durante a lactação.

REAÇÕES ADVERSAS

Cardiovascular: depressão circulatória, parada cardíaca, rubor facial, colapso na circulação periférica, taquicardia, bradicardia, arritmia, palpitações, hipertensão, hipotensão postural, hipotensão, síncope.

Dermatológicas: prurido, urticária, sudorese.

Endócrina: diminuição da libido ou potência.

Exames laboratoriais: aumento transitório das enzimas hepáticas.

Gatrointestinais: náusea, vômito, boca seca, constipação, espasmo no trato biliar.

Urinárias: retenção urinária, oligúria, efeito antidiurético.

Hematológicas: leucopenia, agranutocitopenia, pancitopenia.

Respiratórias: depressão respiratória, apnéia, parada respiratória, laringoespasmo, broncospasmo, diminuição do reflexo da tosse.

Oftalmológicas: distúrbios visuais, miose.

Sistema Nervoso Central: anorexia, tontura, insônia, agitação, ansiedade, medo, alucinação, desorientação, tremor, convulsão, edema.

INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS

Depressores do SNC (incluindo álcool, anti-histaminicos e sedativos) e neuroepiléticos devido ao maior risco de depressão respiratória.

 

CUIDADOS DE ENFERMAGEM

1 – Instruir o paciente a tomar a medicação conforme prescrição médica;

2 – Orientar sobre o objetivo da medicação para facilitar a colaboração do paciente no tratamento;

3 – Esclarecer sobre o possível desenvolvimento de dependência à droga;

4 – Orientar sobre os riscos da Morfina para mulheres gestantes ou em lactação;

5 – Em caso de suspeita ou gravidez confirmada, orientar o paciente a procurar unidade de saúde para nova avaliação medicamentosa;

6 – Orientar sobre as reações adversas mais frequentes relacionadas e, na ocorrência de alguma delas, procurar a unidade de saúde;

7 – Recomendar movimentos suaves na mudança de posição, em especial ao levantar da cama ou sofá, para minimizar a hipotensão postural e evitar quedas;

8 – Em casos especiais, capacitar familiar a assistir o paciente nos momentos de maior risco de queda (banho e levantar da cama);

8 – Orientar o paciente evitar dirigir nos primeiros dias do tratamento devido as tonturas;

9 – Alertar sobre os riscos do consumo de álcool durante o tratamento;

10 – Orientar sobre os risco de fazer uso de outros depressores do SNC sem consentimento médico.

11 – Realizar a monitorização da função renal nos pacientes internados.

12 – Orientar o paciente a não mastigar os comprimidos.

13 – Recomendar o uso da medicação em conjunto com a alimentação com o objetivo de diminuir o desconforto gastrointestinal;

14 – Administrar lentamente a morfina nos casos da via EV para evitar reações adversas e desconforto local;

15 – Diluir bem a medicação EV antes da administração.

Esperamos que tenha gostado da postagem sobre os cuidados de enfermagem com a Morfina. Gostou da maneira que o conteúdo foi apresentado? Tem alguma sugestão para as postagens futuras de artigos similares? Deixei o comentário abaixo! Confira mais cuidados de enfermagem em medicações AQUI.


Referências

AME. Dicionário de Administração de Medicamentos na Enfermagem. São Paulo-SP, Ed. Epub, ed. 10, 2009–2010.
CRISTÁLIA. Bula de Sulfato de Morfina. Disponível em:www.farmaciasassociadas.com.br

SANTOS, Verônica Jorge. Modelagem farmacocinética-farmacodinâmica da morfina administrada através de bomba controlada pelo paciente no pós-operatório de revascularização do miocárdio. 2008. 186f. Tese de doutorado. Programa de Pós-graduação em Fármaco e medicamentos, Universidade de São Paulo,  São Paulo, 2008

Se você encontrou um erro de português, notifique-nos por favor, selecionando o texto e pressionar Ctrl + Enter.

Lucas Queiroz

Lucas Queiroz é o proprietário da Central da Enfermagem. Mestre em Ciências da Saúde, realiza pesquisas no campo do cuidado aos consumidores de drogas e atua como Enfermeiro em instituição federal.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Relatório de erros de ortografia

O texto a seguir será enviado para nossos editores: