Histórico de Enfermagem: 10 coisas para NÃO fazer na entrevista

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Continuando a série de Histórico de Enfermagem, hoje trazemos para vocês 10 armadilhas a serem evitadas na entrevista de Enfermagem. Com as dicas a seguir o profissional de Enfermagem terá mais chances de conseguir dados completos, estabelecer uma relação de confiança, além de dar maior liberdade para as respostas do paciente que comporão o Histórico de Enfermagem. Vamos as dicas:

  1. Oferecer consolo não palpável. Frases como “não se preocupe, tudo vai dar certo” com objetivo de diminuir a ansiedade do paciente ou para animá-lo pode surtir efeito contrário ou apenas aliviar a ansiedade do próprio profissional. Paciente pode converter essas frases vazias em banalização o que enfraquece a relação de confiança profissional. Busque, quando pertinente, exemplificar com casos reais similares ao paciente em questão que tiverem resultados positivos. Mas nunca deixe de expor os contrapontos, quando solicitado, ao menos ao familiar.

  2. Oferecer conselhos indesejados. O profissional de enfermagem se deparará constantemente com a seguinte questão no ato da entrevista “O que você faria?”. Conselhos iniciados com “Se eu fosse você…” devem ser evitados, pois acabam por transferir a responsabilidade para você, profissional. Opte sempre centralizar o paciente nesses questionamentos, e caso seja Enfermeiro, apresente os Resultados Esperados, levantados pelos Diagnósticos de Enfermagem, centrados no paciente.

  3. Usar a autoridade. Possibilite ao paciente em expor seus pensamentos, lembre-se que a entrevista é um diálogo entre duas partes. Na entrevista o paciente deve ter voz para expressar aquilo que lhe assola para que o profissional de enfermagem possa identificar os potenciais de saúde e os problemas de saúde do paciente essenciais para as etapas seguintes do processo de cuidado.

  4. Usar excesso de eufemismo. Pode trazer ao paciente uma frieza por parte do profissional quanto ao que lhe assola.

  5. Distanciamento profissional. A ausência de pronomes de posse como na frase “Existe secreção sanguinolenta na cavidade bucal”, abre um discurso a impessoalidade. Opte por uso de pronomes como “sua”, “dela”, entre outros.

  6. Usar linguagem técnica a todo momento. Um dos preceitos adquiridos na formação parece se perder na prática diária. Opte por adequar a linguagem ao nível educacional do paciente. Uso exacerbado de termos técnicos soa como excludente ao paciente. Caso opte por manter os termos, sempre apresente uma breve explicação em linguagem mais simples sobre o que ele representa. “Esse inchaço na sua perna, que a gente chama de edema, pode ser decorrente do seu problema no coração, a insuficiência cardíaca”.

  7. Perguntas tendenciosas. Perguntas como “Você não bebeu, bebeu?” faz o paciente subentender que uma determinada resposta é melhor que a outra. Como abordamos na postagem sobre entrevista, perguntas fechadas, que se resumem ao “não” ou “sim”, não devem ser evitadas, mas possuem momentos certos para serem utilizadas.

  8. Falar de mais. Lembre-se, o foco é sempre ao paciente, então, quanto mais ele falar espontaneamente, melhor será construído seu Histórico.

  9. Interromper. Quem aqui gosta de ser interrompido quando está falando? Pois é, quando o profissional pensa que sabe o que o paciente irá falar, poderá interromper e perder uma informação importantíssima.

  10. Perguntar “Por quê?”. Quando abordamos um adulto e,  em meio ao seu relato,  questionamos muito o porquê das coisas pode refletir uma condenação. Claro que há casos em que o questionamento deve ser utilizado para adquirir mais informações ou esclarecer duvidas, mas o profissional deve evitá-lo quando não concordar com um ato ou posicionamento do paciente.

Essas foram as 10 dicas do que NÃO fazer em um entrevista. Para mais dicas como essas, acompanhe nos aqui e no Facebook. Divulgue o Central da Enfermagem para seus amigos!


Referências

JARVYS, Carolyn. Guia de Exame Físico para Enfermagem. 7ª ed. Ed. Elsevier. 2016.

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Lucas Queiroz

Lucas Queiroz é o proprietário da Central da Enfermagem. Mestre em Ciências da Saúde, realiza pesquisas no campo do cuidado aos consumidores de drogas e atua como Enfermeiro em instituição federal.

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