Tuberculose Pulmonar: Epidemiologia e panorama atual

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Hoje abordaremos uma das doenças mais comuns da história da humanidade, a Tuberculose. Essa postagem será uma introdução para aprofundamento futuro, com isso abordaremos o contexto histórico e a epidemiologia atual da doença. A tuberculose continua a merecer especial atenção dos profissionais de saúde e da sociedade como um todo. Apesar de já existirem recursos tecnológicos capazes de promover seu controle, ainda não há perspectiva de obter-se, em futuro próximo, sua erradicação, a não ser que novas vacinas ou tratamentos sejam descobertos.

INTRODUÇÃO

A tuberculose é uma doença ocasionada pelo agente etiológico denominado de Mycobacterium tuberculosis. Em 1970 mesmo com a descoberta de potente quimioterapia os casos de tuberculose cresceram, sendo os fatores que explicam a expansão: a relação da bactérias com os portadores do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), que teve sua expansão justamente na década citada; ampliação da miséria; aumento da longevidade e deterioração da saúde. Possivelmente, o bacilo chegou a raça humana pela ingestão de carne e de leite contaminados pelos bacilos da Mycobacterium boi que, aos poucos, se mutaram Mycobacterium tuberculosis em busca de uma melhor transmissão entre indivíduos e maior resistência ao sistema imune.

Endêmica na antiguidade espalhou-se pelo mundo mediante ao colonialismo e expansionismo europeu. Durante as guerras mundiais a epidemia chegou ao ápice nas Américas. As condições dadas para que a microbactéria evoluir nessas situações citadas foram os aglomerados humanos com subnutrição, já que é um ambiente que proporciona fácil propagação por ter pessoas com baixa imunidade e contato íntimo e prolongado, característica essencial para propagação da bactéria. Como exemplo temos a população de escravos com de baixo poder socioeconômico aglomerados em navios negreiros e senzalas no período colonial. Também podemos exemplificar os soldados abrigando-se em trincheiras ou vivendo em acampamentos com espaço reduzido e higiene precária.

EPIDEMIOLOGIA

Com a redução de incidência e prevalência, uso de vacina (BCG) e descoberta de medicamentos, deu a ilusão de controle da tuberculose. Apesar de ser potencialmente prevenível e curável, a tuberculose é ainda um grande problema de Saúde Pública, principalmente nos países em desenvolvimento. Em 1970 os países ricos apresentavam uma queda e controle de casos, enquanto os países pobres enfrentavam uma epidemia. Este panorama pode ser observado ao analisar os dados da época referente a tuberculose, os quais mostram que a cada ano eram infectados 100 milhões de pessoas, onde 21% pertenciam aos países ricos, com maior incidência em idosos e 70% aos países pobres com maior incidência na faixa etária de 15 a 59 anos. O numero de óbitos nessa época nos países ricos girava em torno de 1,3%, enquanto nos países pobres chegava a alarmantes 98,7%.

Em 2012 estimou-se que dois bilhões de pessoas apresentavam infecção tuberculosa latente anualmente, com cerca de 5,4 milhões de casos novos por ano. O Brasil era o 18º colocado no ranking de 22 países com maior carga da doença. Alguns justificam os elevados índices no Brasil pela precariedade na integração com as diversas estruturas sanitárias, a difícil adesão ao tratamento proposto com altas taxas de abandono, apesar da OMS considerá-las como dentro dos índices aceitáveis,  além do não tratamento de todos os contatos. Avalia-se que, no curso da doença, um paciente contamine, em média, dez outros indivíduos, perpetuando o ciclo da doença.

Das dois bilhões de pessoas infectadas pelo Mycobacterium tuberculosis, oito milhões desenvolverão a doença e dois milhões morrerão a cada ano. São Paulo é o estado que apresenta maior número de casos, com cerca de 1/5 do total de casos notificados no Brasil. O país permanece entre os 20 com maior numero absoluto de casos e entre os 30 quando se leva em conta sua população.

TUBERCULOSE HOJE

Anualmente a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulga seu relatório global sobre tuberculose. O relatório de 2016 mostra que os países precisam se mover mais rapidamente para prevenir, detectar e tratar a doença com o objetivo de cumprir as metas globais. Os Governos estabeleceram uma meta de reduzir em 90% nas mortes por tuberculose e 80% nos casos da doença até 2030 em comparação com 2015.

Mortes por TB no mundo. OMS (2016)

O relatório mostra que a carga da doença é, atualmente, mais alta do que o estimado anteriormente. Em 2015, estima-se que houve 10,4 milhões de novos casos de tuberculose em todo o mundo. 60% da carga total da doença correspondem a 6 países: Índia, Indonésia, China, Nigéria, Paquistão e África do Sul. Estima-se que 1,8 milhão de pessoas morreram em decorrência da tuberculose em 2015 e que quase 25% dessas mortes tem correlação com o HIV.

Apesar de as mortes globais por tuberculose terem caído 22% entre 2000 e 2015, a doença foi uma das 10 principais causas de morte no mundo em 2015, responsável por mais óbitos que o HIV e a malária. Lembramos que a doença ainda sobre com grandes números de subnotificações. A redução anual continua em 1,5% anual, necessitando acelerar para 4-5% para alcance das metas até 2020. No relatório a OMS elogia o sistema de notificação do Brasil, em especial o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).

Contudo ainda temos grandes desafios, como a redução de casos gerais e àqueles associados ao HIV com campanhas conjuntas.

Para mais informações sobre doenças, continue acompanhando o Central da Enfermagem pelo site ou por nosso Facebook. Em postagens futuras trataremos sobre contaminação, sintomas e tratamento para a doença. Fique ligado!


Referências

  1. SILVA JR., Jarbas Barbosa da. Tuberculose: Guia de Vigilância Epidemiológica. J. bras. pneumol.,  São Paulo ,  v. 30, supl. 1, p. S57-S86,  June  2004.
  2. SILVA, Carla Carolina Alexandrino Vicente da; ANDRADE, Maria Sandra; CARDOSO, Mirian Domingos. Fatores associados ao abandono do tratamento de tuberculose em indivíduos acompanhados em unidades de saúde de referência na cidade do Recife, Estado de Pernambuco, Brasil, entre 2005 e 2010. Epidemiol. Serv. Saúde,  Brasília ,  v. 22, n. 1, p. 77-85,  mar.  2013.
  3. SILVA, Juliana Nobre da; SANTOS, Maria Sandra; CARDOSO, Marcelo Cortina. Levantamento epidemiológico de casos de tuberculose no município de Mogi das Cruzes – SP. Revista Científica UMC, v. 2, n 1, 2017.
  4. World Health Organization (WHO). Global tuberculosis report, 2016.

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Lucas Queiroz

Lucas Queiroz é o proprietário da Central da Enfermagem. Mestre em Ciências da Saúde, realiza pesquisas no campo do cuidado aos consumidores de drogas e atua como Enfermeiro em instituição federal.

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